| Estrangeiros com alma colorada | ||
Ao longo dos mais de 100 anos de história do Internacional milhares de jogadores vestiram, com orgulho, a camisa colorada. E mesmo não sendo brasileiros e torcedores do Clube do Povo desde criança, muitos deles encarnaram a garra alvirrubra e viraram ídolos da torcida. Hoje, três atletas vindos de países vizinhos têm essa identificação com o torcedor e mostram orgulho em vestir o manto colorado: D’Alessandro, Dátolo e Forlán.
D'Alessandro D'Alessandro está desde 2008 no Inter e não para de colecionar títulosPassados quase cinco anos e com sete títulos conquistados, o jogador sabe que fez a escolha certa quando decidiu vestir a camisa colorada. “Nunca pensei em jogar no Brasil, e hoje dou graças a Deus de ter vindo para um clube tão grande e que me fez chegar a um nível da carreira que nunca imaginei chegar, conquistando a Sul-Americana, a Libertadores, a Recopa, o Campeonato Gaúcho”, lembra o ídolo argentino. “Não tenho dúvidas que, junto com o River, que me revelou, o Inter é o time mais importante da minha carreira por tudo que vivi aqui”, reforça. Homem Gre-Nal Em 210 jogos pelo Inter, D’Ale acumula 45 gols. Desses, seis têm um gosto especial, porque foram marcados no maior clássico do futebol gaúcho. Por essa razão, o atleta passou a ser conhecido como Homem Gre-Nal e conta qual foi o que mais lhe marcou: “Lembro quase todos, mas o Gre-Nal dos 4 a 1 foi inesquecível. Fazer um gol, ter a família no estádio, o jeito que aconteceu”, recorda, em referência à goleada no Campeonato Brasileiro de 2008 em que marcou o primeiro gol e participou dos outros três. ![]() Meia tem ligação especial com o clássico Gre-Nal Em março um vídeo produzido pela TV Inter a pedido dos jogadores fez imenso sucesso junto aos torcedores. Nele, os atletas colorados entravam no ritmo do Harlem Shake, que virou hit mundial e ganhou coreografias de equipes dos mais diversos esportes. Na versão colorada, lá está D’Alessandro usando uma fantasia de Capitão Nascimento e fazendo alusão ao fato de ser o capitão da equipe de Dunga. “Fiquei parado (risos), mas eu sou assim, tento ser divertido, engraçado”, brinca o atleta, que mesmo bancando o sério no clipe divertiu todo mundo. Identificação com crianças Quem vê o jogador brigador dentro de campo, que olha feio para os adversários, talvez não perceba que, fora das quatro linhas, há um ser humano com um coração enorme e de grande identificação especialmente com as crianças. Nas saídas dos treinamentos elas se aglomeram para pedir autógrafo e tirar fotos com o ídolo. Pai de Martino e Santina, D’Ale retribui com muito carinho. “Eu gosto de ficar perto do torcedor, e quando se trata de criança o carinho é ainda maior, natural. A criança é verdadeira.” Responsabilidade Hoje bem-sucedido, El Cabezón não esquece a família e tenta passar bons exemplos ao irmão Marcelo, mais novo. Foi para ele que montou um bar em Buenos Aires, pois acha que mesmo tendo condições de sustentar todos, é necessário mostrar o valor do trabalho. “É preciso saber que as coisas não acontecem de graça, que a gente tem que batalhar muito pra conseguir o que quer”, destaca. E é mostrando exemplos assim, dentro e fora de campo, que D’Ale conquista cada vez mais fãs e marca seu nome no futebol, especialmente do Internacional. Forlán Forlán comemora um dos 10 gols marcados na temporada 2013Atacante entra para a história do Gauchão Um jogador predestinado ao sucesso, Diego Forlán alcançou mais um feito na sua carreira. Eleito o melhor atleta da Copa de 2010 e goleador da Europa pelo Villarreal e Atlético de Madrid nas temporadas 2004/2005 e 2008/2009, o atacante uruguaio foi um dos principais destaques da conquista do tricampeonato e termina a disputa como artilheiro do Gauchão, com nove gols marcados em 13 jogos. O camisa 7 do Inter também escreveu o seu nome na história do futebol gaúcho, já que desde o início da década de 1940 que um estrangeiro não alcançava a artilharia. O último havia sido o também colorado e argentino Villalba. Vale destacar que o vice-artillheiro do Gauchão 2013 é Leandro Damião, autor de oito gols. Nas duas últimas edições do campeonato estadual, ele havia sido o goleador (17 gols em 2011 e 11 em 2012). ![]() Atacante colocou seu nome entre os estrangeiros que fizeram história no Gauchão Artilheiro do Inter em 2013 e do Gauchão, Forlán é referência técnica do ataque de Dunga. Além dos 10 gols marcados nesta temporada, o atacante é o vice-líder de assistências, com quatro passes que resultaram em gols. Mais do que isso: é referência técnica dentro do grupo, inspirando e motivando os mais jovens a seguir sua trajetória de sucesso no futebol. Recentemente, o atacante Caio revelou que se espelha no uruguaio: "Ele bate como ninguém na bola com as duas pernas. Fico olhando nos treinamentos", conta. Embaixador da UNICEF Em 2005, Forlán foi nomeado Embaixador da UNICEF Uruguai. Entre suas funções, o atacante dedica muito tempo para eventos cuja finalidade é promover e arrecadar fundos para meninos, meninas e adolescentes menos favorecidos de todo o mundo. Dátolo ![]()
Dátolo em ação pelo Inter no Gauchão deste ano
O argentino Jésus Dátolo foi apresentado como jogador do Internacional no dia 26 de janeiro de 2012. O meia-atacante, que pertencia ao Espanyol, de Barcelona, deixou a Europa e assinou contrato de três temporadas com o Colorado. Já na sua estreia, no dia 2 de fevereiro, marcou o primeiro gol pelo Inter, no empate em 2 a 2 com o Grêmio. Dátolo também foi o destaque da premiação que elegeu os melhores do Gauchão 2012 – além de estar na seleção do campeonato como melhor meia, o jogador do Inter foi eleito o craque da disputa. Mas algumas lesões atrapalharam a boa sequência de Dátolo. Em junho de 2012 foi submetido a um procedimento cirúrgico para corrigir um problema no púbis que o incomodava desde maio. Em agosto, já totalmente recuperado, voltou a ficar à disposição. Em fevereiro deste ano, uma lesão muscular o afastou dos gramados por mais de um mês, e atualmente trata de uma pancada no tornozelo.A trajetória O futebol entrou de vez na vida do argentino aos cinco anos, quando começou a jogar em um time de bairro em Buenos Aires. Aos 11, passou para as categorias de base do Banfield, e aos 17 chegou ao time profissional. Foi o caminho que o levou, quatro anos depois, a jogar num clube que o atleta tem grande identificação, o Boca Juniors. Atuando como titular da tradicional equipe do futebol argentino, conquistou o título da Libertadores, em 2007. No futebol europeu, teve passagem pelo Napoli, da Itália, pelo Olympiakos, da Grécia e pelo Espanyol , da Espanha. Em 2009, defendeu por duas vezes a Seleção Argentina, onde sonha voltar a jogar. Muito determinado, declara que sempre teve o pensamento e a atitude de quem chegaria a ser jogador de futebol profissional. “Nunca pensei em outra coisa. Se nascesse de novo, seria jogador de futebol. Estudei, terminei meus estudos. Mas nunca pensei em seguir outra profissão”, afirma o meia. Em nome de Jesús Dátolo pertence à uma família de futebolistas, uma vez que o pai e os irmãos se destacaram no esporte amador. O irmão Martín já declarou ser melhor jogador que Jesús, e atribui ao peso do nome bíblico o sucesso alcançado. O meia não desmente: “Que ele joga melhor que eu é verdade. Mas ele não teve a sorte de ter dinheiro para comprar chuteira e passagem de ônibus que eu tive”. Dátolo relembra que foi graças a sua mãe que recebeu o nome – já grávida, teve a inspiração assistindo a um filme de Natal e se impôs ao pai, que preferia que o filho fosse chamado de Jonathan. “Não sei se me ajudou. A fé de cada um ajuda, não o nome. Se tu tem fé, as coisas sempre acontecem”., afirma. O fervoroso craque se orgulha de ter um Papa argentino e acredita que isso vai tornar a Argentina e a América do Sul mais conhecidas no mundo. ![]() Com seu companheiro e conterrâneo D'Alessandro Após uma decisão muito difícil de deixar o importante futebol europeu para retornar ao futebol sul-americano, Dátolo afirma ter feito uma boa escolha. “Me sinto em casa, como se estivesse em Buenos Aires”. Os costumes gaúchos, parecidos aos dos hermanos, ajudaram na adaptação, assim como o carinho da torcida e a convivência com os outros estrangeiros do grupo. “Fazemos várias coisas juntos. Este ano temos um grande grupo dentro e fora de campo e nos reunimos para comer churrascos. São todos muito queridos”, conta. Nas horas livres, o novo divertimento de Jesús é pescar no Rio Guaíba, além de ir aos shoppings da capital gaúcha e a shows musicais. Outro hobby do jogador é cozinhar. “Quando chego em casa, após os jogos que são à tarde, gosto de ir direto pra cozinha. É a melhor forma pra relaxar”, conta o filho da Dona Guilhermina, que cozinhava para fora e passou seus conhecimentos desde cedo. Além de aprender com sua mãe, aperfeiçoou-se na adolescência. Como tinha nove irmãos, “para conseguir as coisas que queria”, trabalhou como entregador de pizza e auxiliar de cozinha. O que o jogador não gosta da capital dos gaúchos é também motivo de desagrado de muitos locais: o trânsito. “É complicado. Quando chove para tudo”. Já em outro ponto, Dátolo se rendeu a um consenso geral: a beleza da mulher gaúcha. Carina, 32 anos, é a nova namorada do argentino. “Ela é tranquila, só posso falar dela, mas no geral acho que as gaúchas são bem temperamentais. Nos damos bem e o importante é ser feliz, porque se tu escolheu alguém, é para ser feliz”, declara Jesús, que também afirma que gosta de ter seu espaço, mas prefere relacionamentos sérios. Vaidade e futebol Dátolo confessa ser vaidoso e muito longe de considerar isso um pecado. “Sempre fui vaidoso. Talvez seja algo meu, do meu DNA. E sempre quis ser um grande jogador de futebol, desde pequeno. Então, como a primeira impressão que se tem é de como a pessoa está vestida, acho importante cuidar da imagem e do estilo”. Mas, tem muito mais do que a cuidadosa aparência por trás de um vencedor e ele conta seus segredos com muita simplicidade: “A única fórmula para um jogador de futebol dar certo, atualmente, é treinar muito, cuidar-se e comer bem. Essa é a ferramenta para o triunfo. Sou muito exigente comigo mesmo. Acho que a vida é isso: lutar. Independente se tu fores jogador de futebol ou tiver outra profissão, tu tens que lutar.” fonte:Sport Club Internacional | ||
domingo, 19 de maio de 2013
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